MUNDIAL, ESTADUAL, OS 'OS VELHINHOS', E A IMORTAL DO LUISITO!
(por Paulo Sérgio de Castro Oliveira, especial para a FGX em 21/10/2008)
Quando começo a escrever esta, fazem seus preparativos para a 3ª partida do match pelo Mundial, Anand e Kramnik. Começam a deslocar-se para Carazinho os artistas da Final do Estadual Gaúcho deste ano. Eu já estaria lá (exagerado que sou, gosto de chegar sempre na véspera), mas os Deuses e os médicos me impediram desta vez. E o Crespo ainda não poderá ter a sua revanche (Perdão, Antônio Rogério!)...
É, uma vez eu e o Crespo disputamos uma Finalíssima do Estadual, quase à tapa! Terminou num pingue maluco, e havia um terceiro envolvido que não me lembro quem era. O Antônio sempre fora melhor do que eu no pingue, mas daquela vez deu zebra e eu ganhei!
Os 'velhinhos' jogamos melhor, e não abro mão das aspas! O Mestre Roberto Silva Nazzari reportou-me chocado a terrível performance do GM Bent Larsen num recente torneio na Argentina (último lugar, 0 pontos!). Acho que isso foi uma exceção, pois mesmo os GMs têm uma determinada resistência à derrota. Ele perdeu a primeira, tendo provavelmente uma variante ganhadora no lance 23, contra o adversário de menor rating do torneio. E ainda por cima com um 'blunder' que o levou ao mate. Depois perdeu a segunda, já para um jogador supostamente mais forte, mas terminando também em posição de mate inevitável. A sua 3ª e última desgraça geradora da 'lanterna' foi a gota d'água...
Já Korchnoi, acaba de tirar mais um 2º lugar em torneio internacional, aos 74 anos! Existe uma grande variedade de paradigmas negativos e falsos, envolvendo as pessoas de mais idade. A parte burra da humanidade obedece essas 'leis', que estabelecem a impossibilidade do idoso fazer isto ou aquilo. Lembro um, que chega a ser criminoso: 'Papagaio velho não aprende a falar'.
O enxadrista não é imune a esse bombardeio de paradigmas falsos, que provavelmente emana dos donos do poder. Deve ser conveniente que uma parcela significativa da sociedade fique à margem das decisões...
Eu acredito em nada dessas bobagens, por isso estarei aprendendo Mandarim nos próximos meses. Se os Deuses permitirem (é, tem os Deuses), aos noventa estarei decidindo uma Final de Estadual com o Crespo! E como represália vou comentar nesta coluna um par de partidas de 'velhinhos', de fazer até os jovens se envergonharem...
Volto à escrita no final do dia, já cheio de novidades boas e ruins. A boa é a excelente primeira vitória de Anand na 3ª partida do match e a quarta já empatou. A ruim é a segunda derrota do Crespo no Estadual, que me faz meditar. Se eu estivesse lá, talvez ele não tivesse perdido. O estímulo de uma revanche sempre conta...
O sistema da Final do Estadual é falho, na minha opinião. Acho que deveriam ser 9 rodadas, até pela questão do condicionamento para a prova maior, que é o Brasileiro. Dá a chance do campeão perder duas, e mostrar têmpera! Sem têmpera, não se chega a Campeão Brasileiro. Sei que tem a questão financeira, enfim...
Decido comentar uma do Mundial, uma ou duas do Estadual, as dos 'velhinhos', e traduzir a 'Imortal do Luisito'. Quem é Luisito? Extrai do excelente livro 'Ajedrez Uruguayo (1880-1980)', de Héctor Silva Nazzari, a partida imortal de Luis Lisandro Roux Cabral, Campeão Uruguaio em 1948. Os comentários são de Arnoldo Ellerman (rev. Caissa, 11/1943). Desta mesma obra agradável, peguei a partida de Ossip Bernstein (aos 72 anos) contra Najdorf, então em franca ascenção. Esta sai com meus comentários. Os interessados em adquirir a obra de Héctor, podem entrar em contato no e-mail: hectormsn@adinet.com.uy .
Retorno à caneta no outro dia pela manhã (segunda-feira 20), para saber da vitória de Felipe Menna Barreto no Estadual, após a vitória final sobre Darlan Veit. Tentarei comentar essa partida, se tiver acesso à ela. Enquanto isto, escolho outra. E fico imaginando a frustração de Felipe, porque não participará da Final do Brasileiro Absoluto, que será em Porto Alegre, porque não tem 2200 de ELO FIDE! Como ponderou um amigo, com este critério absurdo, talvez Mecking não tivesse vindo à tona! Ele desvaloriza os títulos estaduais. Já opinei que todos os critérios das competições oficiais deveriam ser revistos, com a opinião de todos os enxadristas inclusive, à maneira Consulta Popular. A formação da equipe olímpica brasileira é outro tema delicado. Muitas vezes nem saiu na imprensa que o Brasil foi na Olimpíada Mundial de Xadrez!
A solução do problema de Setembro é: 1.Dd3! c4+ 2.Ra3. Se 2...cxd3 3.b4++. Se cavalo move, 3.Dc3++. Este de Outubro é de M. Schneider, 1935.
Boa diversão, e até a próxima!
1 gam. da Dama def. SEMI-ESLAVA
Molinari, Bruno - Roux C, Luis
Campeonato Uruguaio, Montevidéu, 3/ 9/1943.
1. d4 ¤f6 2. ¤f3 d5 3. c4 c6 4. ¤c3 ¤bd7 Esta réplica e 4...dxc4 dividem a opinião dos entendidos. Também 4...¥f5, mas parece inferior por 5.cxd5 cxd5 6.£b3 £b6 7.¤xd5. Ou se não 4...e6 ou 4...£b6 que constitui a variante Suchting; provoca c5 para logo atacar o centro com e4.
5. e3 e6 6. ¥d3 dxc4 7. ¥xc4 b5 Entrando na discutida variante Merano.
8. ¥d3 a6 9. O-O Parece que é mais enérgica a continuação 9.e4, contra qual o negro deve responder com c5 ou b4.
9... c5 10. b3 Esta movida não tem a mesma eficácia que 10.a4 b4 11.¤e4 ¥b7 12.¤xc5, ou 10...¤bd2 como jogara Rubinstein contra Grunfeld em Merano 1924.
10... ¥b7 11. £e2 £b6 12. ¦d1 ¥e7 13. a4 Agora este avanço resulta pouco propício, dado que o cavalo não tem retirada e perde algum tempo para voltar a colocar-se em c4.
13... b4 14. ¤b1 ¦c8 15. ¤bd2 cxd4 16. ¤c4 £a7 17. ¤xd4 Ainda que a captura exd4 tivesse dado um peão isolado, era aparentemente mais conveniente e sua captura imediata teria dado belas perspectivas: 17.exd4 ¥xf3 18.£xf3 £xd4 19.¥b2. Em muitos casos é muito importante um peão central que fiscalize quadros vitais.
17... O-O 18. ¥d2 a5 19. ¤b5 £a8 20. ¤bd6 ¥xg2! Iniciando uma profunda combinação de entrega de qualidade, baseada no domínio que vai exercer o bispo da dama na grande diagonal.
21. ¤xc8 ¦xc8 22. ¦e1 ¥f3 23. £f1 £d5 24. e4 Aparentemente esta defesa resiste à ofensiva, mas aqui vem um golpe genial e inesperado que foi:
24... ¦xc4!! Um sacrifício notável, não pelo fato de entregar a dama e sim porque se desfaz da segunda qualidade e também o branco não pode tratar de devolver a dama para ficar com outra vantagem.
25. bxc4 Portanto não lhes resta nada além de bxc4 (não 25.¥c4 por £d2). Além disso elimina o cavalo que em e3 teria defendido com êxito o rei. Se 25.exd5 ¦g4+ 26.£g2 ¦xg2+ 27.¢f1 ¦xh2.
25... £h5 26. ¥f4 ¤g4 27. ¥e2 A posição de ataque é formidável. (o bispo de f3 é uma "fera"). Por outro lado, se 27.e5 ¥c5 28.¦a2 ¤gxe5!
27... ¤de5 28. h3 Era melhor proceder logo com ¥f3, por exemplo: 28.¥xf3 ¤xf3+ 29.¢g2 ¤xe1+ 30.¦xe1 ¥c5 31.¦e2 £g6 seguido de h5. Nesse caso grande parte do ataque ficaria frustrado, mas o negro tem suas "chances" pelo peão de b4. Agora segue um jogo "catastrófico".
28... ¥c5 29. ¥g3 ¤xf2!! O segundo golpe espetacular.
30. ¥xf2 Agora já seria tarde 30.¥xf3 ¤xf3+ 31.¢g2 ganhando sobre o campo. O aficcionado Roux Cabral interpreta fielmente as inesquecíveis criações de Paul Morphy e de nosso contemporâneo Paul Keres. 32.¥xf2 £xh3+ 33.¢g1 ¤f3++.
30... £g5+ 31. ¢h2 £f4+ Estes xeques vão matando, estrangulam, porque obrigam a cobrir com o bispo (senão £g3!) e então vem o terceiro golpe inesperado, que faz vencer valentemente o seu rei. Foi:
32. ¥g3 ¥g1+!! E as brancas abandonaram. Por quê? Diria um inexperiente, se podem jogar 33.£xg1, mas o despertar seria muito doloroso: 33.£xg1 ¤g4+!! 34.hxg4 £h6+ seguido de mate em h4. E de problema, com as duas únicas peças negras do tabuleiro. É evidente, por outro lado, que 33.¢g1 também levaria a mate.
[0:1]
2 def. INDIA ANTIGA
Bernstein O. - Najdorf M.
Torneio Internacional UNESCO, Montevidéu, 03/12/1954.
1. d4 ¤f6 2. c4 d6 3. ¤c3 ¤bd7 4. e4 e5 5. ¤f3 g6 6. dxe5 dxe5 7. ¥e2 c6 8. O-O £c7 9. h3 ¤c5 10. £c2 ¤h5 Najdorf vai meio afoito de negras. Ele tem então 44 anos, contra os 72 de Ossip.
11. ¦e1 ¤e6 12. ¥e3 ¥e7 13. ¦ad1 O-O 14. ¥f1 ¤hg7 15. a3 f5 16. b4 f4 17. ¥c1 ¥f6 18. c5 O contra-ataque branco prepara a casa c4 para o bispo.
18... g5 19. ¥c4 ¢h8 20. ¥b2 h5 21. ¤d5! Que lance de 'velhinho', heim?
21... cxd5 22. exd5 ¤d4 23. ¤xd4 exd4 24. d6 £d7 25. ¦xd4! Este na verdade é um falso sacrifício. A captura da torre pioraria muito a situação do rei negro. A temática dos dois bispos apontados para o rei inimigo é bem conhecida.
25... f3 26. ¦de4 £f5 27. g4 hxg4 28. hxg4 £g6 O negro parece ter resolvido o problema da entrada mortal da dama branca em g6, mas...
29. ¦e8!! Fantástica estocada! Se 29...£xc2 30.¦xf8+ ¢h7 31.¥g8+ ¢h8 32.¥b3+.
29... ¥f5 30. ¦xa8 ¦xa8 31. gxf5 £h5 32. ¦e4 £h3 33. ¥f1 Sempre uma defesa!
33... £xf5 34. ¦h4!! Que 'velhinho' atômico!
34... gxh4 35. £xf5 ¤xf5 36. ¥xf6 ¢g8 37. d7 O jogo termina com o tema 'Peões Avançados, Peões Perigosos'.
[1:0]
3 def. NIMZO-ÍNDIA. var. SAEMISCH
Volkov, Sergey - Korchnoi, V
IX GM Banja Luka, 29/ 9/2008.
1. d4 ¤f6 2. c4 e6 3. ¤c3 ¥b4 4. f3 d5 5. a3 ¥xc3 6. bxc3 c5 7. cxd5 exd5 8. e3 £c7 Até aqui o meu banco mostra 44 partidas, com escore favorável às brancas.
9. ¤e2 h5 Korchnoi espreme o leque para duas partidas registradas. Agora serão três com a sua. As outras duas foram do GM Suba com negras, terminando em empate.
10. ¤f4 ¥f5 11. ¥d3 Volkov é o primeiro a se afastar do trilhado, mas de forma bem lógica. Elimina o único bispo das negras, para tentar explorar a eventual superioridade do seu bispo sobre um cavalo negro. E isto contra um 'velhinho de' 77 anos!
11... ¥xd3 12. £xd3 ¤bd7 13. O-O £c6! A arte de melhorar a posição das peças!
14. c4 Sergey joga dentro do figurino, abre a posição, o que valorizará o seu bispo.
14... dxc4 15. £xc4 cxd4 16. £xd4 O-O 17. ¥b2 E este bispo, na grande diagonal, perfeito!
17... ¦fd8 18. ¦ac1 £b5 19. ¦c7 ¤b6 20. £e5 £xe5 21. ¥xe5 ¤fd5! O contra-ataque que sai na hora certa...
22. ¦xb7 ¤xe3 23. ¦e1 ¤bc4! O cavalo volta à ativa, e o sacrifício de peão é ilusório.
24. ¤xh5 ¦d5! O bispo não pode ser defendido com f4, por causa de 25...¦d2. Korchnoi enfrenta a superioridade natural de bispo sobre cavalo nessas posições, colocando todas as suas peças nas suas melhores posições. Ele usa o tema estratégico 'Peça Bem Colocada'.
25. ¥f4 ¤xg2 26. ¤f6 Um golpe interessante de Volkov, para debilitar a estrutura de peões de Viktor. Mas você já ouviu falar do tema 'Peões Dobrados Fortes'?
26... gxf6 27. ¢xg2 ¤e5! O 'velhinho' coloca novamente o seu cavalo na melhor posição, ameaçando sempre algo. O branco tem que sucumbir à troca.
28. ¥xe5 fxe5 29. ¦e7 ¦a5! É, não terminou ainda o trabalho das negras objetivando a igualdade!
30. ¦e3 ¦c8 31. ¦7xe5 Sergey colhe o primeiro dividendo real. E agora você vai ver um leão se defendendo...
31... ¦c2 32. ¢g3 ¦a6 33. ¦g5 ¢f8 34. ¦b3 ¦a2 35. ¦b8 ¢e7 36. ¦b7 ¢e6! 37. ¦g7 f6 38. h4 ¦a5 39. ¦be7 ¢f5 40. h5 ¦a1 41. h6 ¦5xa3 42. h7 ¦3a2! É preciso sangue frio, para chegar a uma posição dessas!
43. f4 ¦g1 44. ¢f3 ¦h1! Korchnoi parece ter incorporado Capablanca.
45. ¦xa7 ¦xa7 46. ¦xa7 ¦h3 47. ¢g2 ¦h6 48. ¢g3 ¢g6 49. ¢g4 f5 50. ¢g3 ¦xh7 Fim do sofrimento! Não gosto de empates, mas este me pareceu bastante divertido, uma verdadeira defesa de Mestre.
[½:½]
4 gamb. da Dama. def. SEMI-ESLAVA.
Kramnik, V - Anand, V
Campeonato Mundial, Bonn, 3ª do Match, 17/10/2008.
1. d4 d5 2. c4 c6 3. ¤f3 ¤f6 4. ¤c3 e6 5. e3 ¤bd7 6. ¥d3 dxc4 7. ¥xc4 b5 8. ¥d3 a6 9. e4 c5 10. e5 cxd4 11. ¤xb5 axb5 12. exf6 gxf6 13. O-O £b6 14. £e2 ¥b7 15. ¥xb5 ¥d6 Até aqui o meu banco registra só 4 partidas, com resultado favorável às brancas.
16. ¦d1 Kramnik afasta-se do trilhado, começa aqui a verdadeira partida.
16... ¦g8 17. g3 Uma triste necessidade, também para evitar eventuais combinações à base de ¦xg2+.
17... ¦g4! Jogada incrível e provocativa, que ao mesmo tempo defende por um lance o peão de d4.
18. ¥f4 ¥xf4 19. ¤xd4 h5! 20. ¤xe6 fxe6 21. ¦xd7 ¢f8 Isto é xadrez corajoso! Anand já calculou todas as penetrações das brancas...
22. £d3 ¦g7 23. ¦xg7 ¢xg7 24. gxf4 ¦d8! A dama branca tem que se manter sempre defendendo o bispo de b5.
25. £e2 ¢h6 O rei negro acha o seu ninho, ao mesmo tempo em que facilita o tema 'Ataque Pela Coluna do Cavalo do Rei. É interessante notar que se fossem trocadas todas as peças, o final de peões seria facilmente ganho pelas brancas. A temática negra normalmente funciona quando o bispo branco é de cor oposta, mas aqui não. Ela funciona por causa do afastamento do bispo das brancas, da ala do rei.
26. ¢f1 ¦g8 A arrumação negra é perfeita.
27. a4 ¥g2 28. ¢e1 ¥h3 29. ¦a3 ¦g1 30. ¢d2 £d4 31. ¢c2 ¥g4! 32. f3 ¥f5 33. ¥d3 ¥h3!! O branco não tem saída segura para a sua dama. Suas peças atrapalham-se entre si e tiram espaços do seu próprio rei. Agora é uma questão de simples técnica.
34. a5 ¦g2 35. a6 ¦xe2 36. ¥xe2 ¥f5 37. ¢b3 £e3 38. ¢a2 £xe2 39. a7 £c4 40. ¢a1 £f1 41. ¢a2 ¥b1 Anand abre uma vantagem significativa com esta vitória de negras, usando um estilo bem oposto ao de Kramnik.
[0:1]
5 Def. Siciliana
Veit, Darlan R. - Munoa Da Silva, Eduardo
Carazinho, Final do Estadual Gaúcho, 19/10/2008.
1. e4 c5 2. ¤f3 e6 3. c3 Esta variante da Siciliana tem angariado adeptos.
3... ¤f6 4. e5 ¤d5 5. d4 cxd4 6. cxd4 ¥e7 7. ¤c3 ¤xc3 8. bxc3 O-O 9. ¥d3 d6 10. h4 Uma jogada um tanto humorística, se levarmos em conta o jogador das negras. Mas esta ameaça do clássico sacrifício em h7, revela que Darlan está jogando para ganhar. Existem duas partidas registradas nos bancos de dados com este lance, ambas com vitória das brancas.
10... h6 11. ¦h3 Darlan é o primeiro a se afastar do trilhado. 11.£e2 fora tentado anteriormente com êxito. A jogada ¦h3 também aconteceu naquela partida.
11... f5 12. exf6 ¥xf6 13. £e2! e5 14. £e4! Uma avaliação corretíssima, do nosso quase Campeão Estadual deste ano. O objetivo das escaramuças é colocar o rei negro no centro, vulnerável.
14... exd4 15. £h7 ¢f7 16. £g6 ¢e7? Munoa não resiste à pressão e abrevia a temática. Após 16...¢g8 o ataque poderia continuar com 17.£h7+ ¢f7 18.¦g3.
17. ¤xd4! ¥xh3 18. gxh3 £a5 19. ¥d2 ¤c6 20. ¦b1 ¤xd4? 21. ¦xb7 ¢d8 22. cxd4 ¦e8?? Erro fatal, mas depois de 22...£xa2 23.¥b5, o ataque continua e faltam lances bons para as negras.
23. £xe8 ¢xe8 24. ¥xa5 ¥xd4 25. ¥g6 ¢f8 26. ¦d7 ¦b8 27. ¦d8 Darlan arremata de forma segura e o negro já poderia abandonar.
27... ¦xd8 28. ¥xd8 ¥c5 29. ¢e2 ¥d4 30. f3 ¥c5 31. ¢d3 ¥f2 32. ¢e4 ¥e1 33. ¢d5 ¥g3 34. ¢e6 Esta foi uma boa partida do Estadual 2008.
[1:0]
6 def. Índia da Dama
Menna Barreto, Felipe K. - Veit, Darlan R.
Carazinho, Final do Estadual Gaúcho, 19/10/2008.
1. ¤f3 c5 2. g3 b6 3. ¥g2 ¥b7 4. c4 ¤f6 5. ¤c3 e6 6. O-O ¥e7 7. d4 cxd4 8. ¤xd4 ¥xg2 9. ¢xg2 a6 10. e4 d6 11. £a4 ¤bd7?! Darlan é o primeiro a se afastar da teoria, e com uma jogada bem duvidosa.
12. ¦d1 Talvez fosse melhor 12.¤c6 … 13.¤xe7, partindo imediatamente para a exploração do tema 'Casas Negras Fracas'.
12... £c8? O negro erra novamente, deixando escapar a oportunidade de maior resistência, com 12...O-O.
13. ¤c6 ¤c5 14. ¤xe7 ¢xe7 15. £c2 £c6 16. f3 ¦ac8 17. ¥f4 17.b3 … ¥b2 ou ¥a3 … da dobrada de torres na coluna da dama, pareceu-me mais interessante.
17... ¤b7 18. £d2 h6 19. ¦e1 g5? Sobre pressão, Darlan erra de novo. 19...e5 evitaria a tática.
20. ¤d5! ¤xd5 21. cxd5?! Felipe talvez tenha deixado escapar aqui o que justifica a exclamação do seu lance 20. O correto pode ser 21.exd5! e aí não tem 21...£xc4, por causa de 22.¦ac1 … 23.¥xg5+ . O melhor parece ser 21...£d7, mas então o branco mantém a iniciativa.
21... £c2 22. ¦ac1 £xd2 23. ¥xd2 ¢d7? Darlan perde a última chance de translado do seu cavalo para a ala do rei. E não se dá conta que vai entrar num final perdido. 23...¤c5 era a chance derradeira para tentar um empate.
24. b4! 'Filho de Peixe, Peixinho é', e Felipe não é uma exceção. Luis Ney Menna Barreto, seu pai, puxaria a sua orelha se ele não fizesse este lance. Você verá o porquê.
24... b5 25. ¦xc8 ¦xc8 26. ¦c1 ¦xc1 27. ¥xc1 exd5 28. exd5 f5?? Erro fatal, a chance extrema seria tentar 28...f6 … ¢e7/f7/g6 … ¤d8/f7, mas enquanto isto o branco joga!
29. h4! gxh4 30. ¥xh6 hxg3 31. ¢xg3 ¢e7 32. ¥g5 ¢f7 33. ¢f4 ¢g6 34. a3! E o negro está em 'Zugswang'!
34... a5 35. ¥e7 a4 36. ¥g5 ¢g7 37. ¢xf5 ¢f7 38. f4 ¢f8 39. ¢e6 ¢e8 40. f5 Uma boa vitória do Campeão Estadual de 2008.
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